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segunda-feira, 20 de agosto de 2012

NUTRIÇÃO FUNCIONAL E OSTEOPOROSE


NUTRIÇÃO FUNCIONAL E OSTEOPOROSE






As mudanças ocorridas no século XX favoreceram a queda da mortalidade e isto refletiu no aumento da expectativa de vida, resultando no envelhecimento da população e no aumento das taxas de doenças crônico-degenerativas, entre elas a osteoporose.

A osteoporose é caracterizada por alterações na massa óssea que comprometem a densidade e a qualidade deste tecido, levando a fragilidade que favorece a ocorrência de fraturas2. É importante saber que a massa óssea é adquirida durante o crescimento e que existe uma importante relação entre as células de remodelação dos ossos (osteoclastos e osteoblastos). Estas mudanças decorrentes das atividades destas células ocorrem ao longo da vida mas, as mulheres começam a ter perda óssea a partir dos 35 anos, perdendo em torno de 1% ao ano, já nos homens, esta redução ocorre a partir de 50 anos de idade.

De acordo com a Portaria SAS/MS nº 470, de 23 de julho de 2002. “Vários fatores de risco estão associados ao desenvolvimento de osteoporose e fraturas: Podemos citar, história prévia de fratura, baixo peso, sexo feminino, raça branca, fatores genéticos (como existência de familiares de primeiro grau com fratura sem trauma ou com trauma mínimo), fatores ambientais (tabagismo, consumo abusivo de bebidas alcoólicas e cafeína, inatividade física), baixa ingestão de cálcio alimentar, estado menstrual (menopausa precoce, menarca tardia, amenorréias), drogas (corticosteróides, anti-epilépticos, hormônios tireoideanos, ciclosporina), doenças: endócrinas (hiperparatireoidismo primário, tireotoxicose, síndrome de Cushing, hipogonadismos e diabetes mellitus), hematológicas (mieloma múltiplo), reumatológicas (artrite reumatóide), gastroenterológicas (síndrome de má-absorção, doença inflamatória intestinal, doença celíaca) e doenças neurológicas (demência)”5. Dentre os fatores nutricionais, destacam- se as funções do Cálcio, da vitamina D entre outros nutrientes que serão discutidos6.

A homeostase do cálcio ocorre através de um processo complexo pois, envolve os órgãos intestino, rins, ossos e células. Estes mecanismos ocorrem de modo dinâmico e isto dificulta o estabelecimento preciso da ingestão diária de cálcio para cada faixa etária, sexo e idade7.
 
Diante de vários fatores que interferem no metabolismo ósseo e que predispõem ao desenvolvimento da osteoporose, vários nutrientes fazem parte destas reações químicas e por isso, devemos ficar atentos à alimentação para fornecer estes nutrientes e possivelmente, será necessária a suplementação nutricional para prevenir ou recuperar este quadro de osteoporose.

Nutrição adequada para manutenção ou recuperação da massa óssea:

Para que o cálcio se fixe nos ossos, vários nutrientes são necessários, por isso é importante compreender as funções de cada um deles.

Segue abaixo os nutrientes que estão relacionados a esta via metabólica.
 
Com esta visão mais ampla destes mecanismos, é um engano pensar que somente o cálcio e  Vitamina D são suficientes para uma perfeita recuperação da massa óssea.

Vitamina C: Estimula a síntese de colágeno e favorece a ação dos osteoblastos e a acidez melhora a biodisponibilidade do cálcio8.

Vitamina D: Favorece a absorção de cálcio nas células intestinais e consequentemente a manutenção da densidade mineral óssea9.

Vitamina K: Importante vitamina para a reação de gama carboxilação da osteocalcina, que é uma importante proteína na deposição de cálcio nos ossos10.

Boro: Reduz a eliminação urinária de cálcio e magnésio11.

Cálcio: Nutriente mais importante na formação de ossos e dentes, além do papel na contração muscular e permeabilidade vascular11.

Cobre: Atua como co-fator para enzimas para a síntese de constituintes da matriz óssea e formação da lisil oxidase12 para a síntese de colágeno e elastina.

Lisina: Aumenta a absorção de cálcio em mulheres com osteoporose13.

Manganês: Nutriente importante para a formação de mucopolissacarídeos que fornecem estrutura adequada para a calcificação óssea14.

Magnésio: Associado à diminuição da reabsorção óssea15.

Silício: Atua na formação da matriz óssea, formando ligações de colágeno e proteoglicanos durante o crescimento ósseo16.

Zinco: Estimula à formação óssea aumentando a atividade da Vitamina D. Forma a
hidroxiapatita (cristal que compõe os ossos) e estimulação dos osteoblastos10 produção de colágeno e atividade da fosfatase alcalina17.

Potássio: Importante para manutenção do equilíbrio ácido básico e diminui a
excreção urinária de cálcio18.

Próbióticos: Garantir o ph ácido no intestino que favorece a absorção de cálcio e mantendo uma produção ótima de vitamina K pelas bactérias próbióticas19.

É importante salientar o papel da saúde intestinal pois, alterações e situações comuns (diarréia, obstipação, uso de laxantes) na população podem comprometer a absorção de nutrientes. A produção de butirato (produto da fermentação bacteriana com a ingestão de FOS) aumenta a expressão de calbindina na mucosa intestinal, que aumenta a absorção de cálcio e a atividade dos receptores para 1,25 (OH)2 D3.



Manter o equilíbrio ácido básico do sangue é importante porque a acidez crônica tem forte impacto na densidade dos ossos além de prejudicar a síntese de colágeno21-22.

Este desequilíbrio pode ser decorrente de fatores como alta ingestão de alimentos que acidificam o sangue (café, proteínas de origem animal, ovos, chocolate, farinhas refinadas, leite e derivados). A acidez é caracterizada pela elevada concentração de prótons no sangue (H+) e para neutralizar este processo, o corpo utiliza 4 mecanismos importante de controle23, 22.:

1º - Liberação de bicarbonato de sódio,
2º - Maior eliminação de pCO2,
3º - Saída do cálcio dos ossos e,
4º - Saída de minerais de carga positiva para tentar alcalinizar o sangue (potássio e
magnésio)23, 22.



Outro fator complicador da eliminação do cálcio é que ocorre a ativação do hormônio PTH (paratormônio), que aumenta a reabsorção de cálcio fazendo com que mais cálcio seja eliminado ou liberado na corrente sanguínea24.

Vários fatores podem comprometer o metabolismo do cálcio, por isso, a manutenção ou recuperação da saúde óssea requer avaliação da saúde intestinal, avaliação de exames laboratoriais, planejamento nutricional e possivelmente utilização de suplementos alimentares.

Referências: Sociedade Brasileira de Nutrição Funcional ( SBNF )

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Osteoporose: incidência deve subir 32% até 2050

 Osteoporose: incidência deve subir 32% até 2050




 

Dado é de relatório da fundação mundial de osteoporose para a América Latina

 

Um relatório divulgado ontem pela IOF (International Osteoporosis Foundation) sobre a osteoporose na América Latina prevê que a incidência de fraturas de quadril no Brasil crescerá 32% até 2050.

O dado leva em conta o aumento da expectativa de vida da população. Em geral, a osteoporose, que causa o enfraquecimento dos ossos, atinge os idosos - especialmente mulheres pós-menopausa.

Hoje, estima-se que ocorram mais de 121 mil fraturas do tipo por ano no país. Segundo o texto, a doença já atinge uma em cada três mulheres com mais de 50 anos.

As projeções servem como um aviso para as autoridades de saúde do País, já que as fraturas de quadril são uma grande causa de debilidade e morte precoce em idosos.

Para Ben Hur Albergaria, presidente da comissão nacional de osteoporose da Febrasgo (Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia), o relatório mostra que a doença é um problema de saúde pública e demanda mais atenção.

"É preciso mudar o conceito de que a osteoporose é uma doença natural do idoso. Ela pode e deve ser prevenida", diz Bruno Muzzi, presidente da Associação Brasileira da Avaliação da Saúde Óssea e Osteometabolismo.

 

A osteoporose é uma doença que atinge os ossos. Caracteriza-se quando a quantidade de massa óssea diminui substancialmente e desenvolve ossos ocos, finos e de extrema sensibilidade, mais sujeitos a fraturas. Faz parte do processo normal de envelhecimento, e é mais comum em mulheres do que em homens.

 

O organismo está constantemente fazendo e desfazendo ossos. Esse processo depende de vários fatores como genética, boa nutrição, manutenção de bons níveis de hormônios e prática regular de exercício; os hábitos e costumes exercem grande influência.

 

Além disso para se ter uma boa formação de massa óssea é necessário avaliar os sinais e sintomas de deficiência, não somente de cálcio, mas também de outros nutrientes vitais para a saúde óssea, como, por exemplo, vitamina D, magnésio, zinco, cobre, vitamina K e boro. Ao contrário do que muitos profissionais de saúde pensam, estudos demonstram que a suplementação isolada de cálcio não é efetiva no tratamento da osteoporose, sendo necessária a presença de outros minerais para a efetiva fixação do cálcio nos ossos, além disso atualmente as pessoas ingerem muitos produtos industrializados, que por sinal são riquíssimos em sódio, mineral que em excesso é responsável por uma boa parte da perda de cálcio no nosso organismo .

 

Por isso vamos cuidar de nosso equilíbrio nutricional – funcional!

Amanda Nogarolli

Fontes: Folha de S.Paulo e Livro de Nutrição Clínica Funcional