A Importância do Magnésio na Saúde

Um dos nutrientes mais importantes para o organismo humano é o mineral magnésio, uma vez que participa de diversas vias biológicas, principalmente como cofator de enzimas envolvidas no metabolismo e síntese de macronutrientes, geração de energia e nos receptores de insulina1-3.
Adicionalmente, está envolvido na homeostase de alguns micronutrientes, como o cálcio e a vitamina D, desempenhando um papel primordial na formação, desenvolvimento e manutenção do sistema ósseo4,5. O mineral também é importante para a função muscular sendo componente da bomba Ca/Mg, envolvida no processo de contração e relaxamento da musculatura esquelética ou lisa6.
Outra função fisiológica do magnésio se refere a formação do neurotransmissor serotonina, sendo um fator limitante na cascata de conversão do aminoácido L-triptofano em serotonina, pois é um cofator essencial para a enzima hidroxilase, juntamente com as vitaminas B6 e B127.
No sistema cardiovascular, o magnésio desempenha ação anti-agregante plaquetária, modulação da fluidez sanguínea e relaxamento de veias e artérias8,9.
Com base nas funções anteriormente citadas, é possível constatar que a deficiência do mineral pode refletir em diversos distúrbios metabólicos, aumentando os riscos de doenças cardiovasculares10, doenças ósseas11, desequilíbrios em sistema nervoso central (como alterações de humor, tensão pré-mentrual, ansiedade, enxaqueca e depressão)11-14 e diabetes mellitus15.
Além disso, a deficiência de magnésio pode estar relacionada com aumento na produção de fatores pró-inflamatórios, como prostaglandinas, leucotrienos e tromboxanos, que desempenham papel chave na fisiopatogenia de inúmeras doenças crônicas não transmissíveis16.
O papel do magnésio sobre distúrbios metabólicos foi averiguado por Papanikolaou et al.17, com base no estudo NHANES, de delineamento transversal, que incluiu dados de participantes americanos (adultos maiores de 20 anos) não institucionalizados recrutados pelo National Center for Health Statistics of the Centers for Disease Control and Prevention. Os dados analisados são referentes ao período de acompanhamento de 2001 a 2010.
No total, a amostra incluiu 14.338 participantes, maiores de 19 anos de idade, que completaram um recordatório alimentar de 24h para a identificação da ingestão habitual de alimentos e de suplementos, com o enfoque sobre o consumo dietético de magnésio. Além disso, foram analisados parâmetros bioquímicos, peso, IMC, circunferência de cintura e nível de atividade física. Com base nestes dados, os autores buscaram examinar a relação entre o consumo de magnésio (proveniente de alimentos ou de maneira combinada entre alimentos e suplementos) e marcadores metabólicos, como sensibilidade à insulina, controle glicêmico e consequentemente risco de diabetes e síndrome metabólica17.
Os resultados evidenciaram que os indivíduos com adequada ingestão alimentar do mineral apresentaram riscos significantemente menores para resistência à insulina mensurada por HOMA-IR (p=0,0204), hipertensão arterial sistólica (p=0,0279) e de redução dos níveis de HDL-colesterol (p=0.001) em comparação com os adultos com ingestão deficiente. Além disso, a ingestão adequada de magnésio via alimentos e suplementos foi relacionada com menores medidas de circunferência de cintura (-0,86%; p=0,0043) e pressão arterial sistólica (-0,56%; p=0,0297) e maiores níveis de HDL-colesterol (p<0,0001) quando comparada com a ingestão inadequada. Ainda, houve correlação positiva entre consumo adequado de magnésio e redução dos níveis de hemoglobina glicada e proteína C relativa17.
Os resultados supracitados permitiram aos autores concluir que o aumento na ingestão de magnésio via alimentar está associada com redução significante no risco de síndrome metabólica, diabetes mellitus, circunferência de cintura aumentada, sobrepeso, obesidade e elevação da pressão arterial sistólica17.
Estes achados reforçam o papel crucial do magnésio na saúde humana e a importância de seu aporte adequado em equilíbrio com outros minerais, vitaminas e compostos bioativos, a fim de se prevenir possíveis deficiências e reduzir os riscos para diferentes doenças crônicas.
Fonte: Blog VP Consultoria
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