quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Alergia ou Intolerância à Lactose ?



Atualmente muitas pessoas ou mesmo profissionais de Saúde confundem os conceitos de Alergia à Proteína do Leite de Vaca e Intolerância à Lactose .





Qual  a real diferença ?


- Intolerância à Lactose: Inicialmente  é importante saber que lactose é o açúcar presente naturalmente no leite e em outros produtos lácteos , sendo que este precisa ser digerido por uma enzima chamada Lactase.

Pessoas com intolerância à lactose possuem diminuição ou ausência da Lactase o que causará como consequência sintomas Intestinais como : Diarréia, Cólicas, Gases e  Distensão Abdominal.


- Alergia à Proteína do Leite de Vaca : 



A Alergia às proteínas do leite de vaca é uma reação do sistema imunológico do organismo que não consegue digerir as proteínas com eficácia gerando assim  sintomas que  podem se manifestar imediatamente após o consumo do alimento ( reação por IGE – exame de sangue )   ou de forma tardia ( IGG – sinais e sintomas ou alguns exames não muito específicos, nesse caso avaliação clínica é padrão ouro ) – algumas horas ou até dias após o consumo do mesmo.

Inúmeros estudos demonstram a relação de leite e derivados com processos alérgicos por diversos mecanismos imunológicos, ou seja alergias mediadas por IgE, clássica e normalmente com reações imediatas, porém essas são 1 a 2% das alergias alimentares, sendo a maior porcentagem em crianças até 3 anos.

A maior porcentagem das alergias alimentares são tardias e mediadas por IgG, principalmente, podendo desencadear sintomas de 2 horas a 3 dias após o contato com os alérgenos, sendo portanto de difícil diagnóstico. Entre os alimentos mais alergênicos, o leite de vaca é o mais freqüente.

Essa relação até já é feita pela maior parte dos profissionais da área da saúde atentos às causas das doenças, porém costuma-se ligar mais a intolerância à lactose.

Sem dúvida esta intolerância é comum e pode desencadear transtornos funcionais gastrintestinais locais e por conseqüência também sistêmicos.

Porém, não é a maior causa de doenças sistêmicas desencadeadas pelo leite de vaca.

A maior relação dos derivados de leite com as alergias tardias se deve ao fato do organismo não digerir a beta-lactoglobulina. A caseína (80%), alfa-lactoalbumina e lactoglobulina são de dificuldade digestiva, principalmente a caseína.

As proteínas alergênicas dos lácteos provocam uma inflamação na mucosa intestinal causando alteração na permeabilidade da mesma, facilitando a passagem de macromoléculas e metais tóxicos, além de favorecer a má absorção de nutrientes, gerando uma síndrome de má absorção. Como a mucosa intestinal é produtora de substâncias como serotonina, hormônios, enzimas digestivas, sua alteração prejudicará as funções executadas por essas substâncias que seriam produzidas e liberadas para a circulação para uma ação no organismo.

Além disso, as macromoléculas que conseguiram atravessar esta mucosa intestinal alterada, podem provocar uma reação do organismo no sentido de combatê-las pois são entendidas como antígenos (substâncias estranhas ao organismo), necessitando ser eliminadas. Para isso, além da ação dos fagócitos, poderá existir a formação de anticorpos e estímulo do sistema do complemento, havendo liberação de histaminas e de outros autacóides (substâncias quimicamente ativas), agregação plaquetária, além da produção de outras substâncias pró-inflamatórias como leucotrienos, citocinas etc.

Todas estas reações em conjunto, podem desencadear sintomas em diversos órgãos alvo (órgão de choque), podendo se manifestar por alterações físicas, mentais e/ou emocionais.

Diversos estudos comprovaram a relação de alergia tardia, principalmente à leite de vaca com otite, dermatite, rinite, sinusite, bronquite asmática, amigdalite, obesidade, aumento da resistência à insulina, aumento na formação de muco, gastrite, enterocolite, esofagite, refluxo, obstipação intestinal, enurese, enxaqueca, fadigas inexplicáveis, artrite reumatóide, falta de concentração, hiperatividade (ADHD), dislexia, ansiedade e até mesmo depressão.

No processo alérgico tardio, a histamina é liberada em pequena quantidade, não desencadeando sintomas alérgicos imediatos, porém, em quantidade pequena tem ação de relaxante cerebral, dando sensação de conforto e relaxamento, ligando o alérgeno ingerido primeiramente ao prazer, muitas vezes gerando vício, e não aos problemas que ele trará depois de um tempo variável. Os sintomas tardios são relacionados com a necessidade de maior formação de imunocomplexos (em pequena quantidade nem sempre provoca sintomas alterados), e uma queda da serotonina, levando à sensação de ansiedade, vontade de comer carboidrato, falta de saciedade, etc.

É essencial a avaliação com profissional nutricionista para  a partir da análise de  exames laboratoriais específicos  e investigação clínica saber qual condição  paciente apresenta, para assim poder  direcioná-lo para a correta conduta clínica.

A individualização alimentar pode mudar a qualidade de vida de uma pessoa, vejo isso diariamente na clínica e me sinto imensamente agradecida por hoje poder ter o conhecimento que liberta olhando o paciente por completo e não somente sua doença, tratando as causas e não os sintomas.

" Todo processo real de mudança acontece a partir do conhecimento "

Amanda L Nogarolli de Carvalho

Nutricionista Clínica  CRN 8:4811
Especialista em Fitoterapia
Especialista em Obesidade e Emagrecimento
Especialista em Nutrição Funcional
Membro da Academia Brasileira de Nutrição Funcional