Alergia ou Intolerância à Lactose ?
Atualmente muitas pessoas ou mesmo profissionais de Saúde confundem os
conceitos de Alergia à Proteína do Leite de Vaca e Intolerância à Lactose .
Qual a real diferença
?
- Intolerância à Lactose: Inicialmente é importante saber
que lactose é o açúcar presente naturalmente no leite e em outros produtos
lácteos , sendo que este precisa ser digerido por uma enzima chamada Lactase.
Pessoas com intolerância à lactose possuem diminuição ou ausência da
Lactase o que causará como consequência sintomas Intestinais como : Diarréia,
Cólicas, Gases e Distensão Abdominal.
- Alergia à Proteína do Leite de Vaca :
A Alergia às proteínas do leite de vaca é uma reação do
sistema imunológico do organismo que não consegue digerir as proteínas com
eficácia gerando assim sintomas que podem se manifestar imediatamente após o
consumo do alimento ( reação por IGE – exame de sangue ) ou de forma tardia ( IGG – sinais e sintomas
ou alguns exames não muito específicos, nesse caso avaliação clínica é padrão
ouro ) – algumas horas ou até dias após o consumo do mesmo.
Inúmeros estudos demonstram a relação de leite e derivados com processos
alérgicos por diversos mecanismos imunológicos, ou seja alergias
mediadas por IgE, clássica e normalmente com reações imediatas, porém essas são
1 a 2% das alergias alimentares, sendo a maior porcentagem em crianças até 3
anos.
A maior porcentagem das alergias alimentares são tardias e mediadas por IgG, principalmente, podendo
desencadear sintomas de 2 horas a 3 dias após o contato com os alérgenos, sendo
portanto de difícil diagnóstico. Entre os alimentos mais
alergênicos, o leite de
vaca é o mais freqüente.
Essa relação até já é feita pela
maior parte dos profissionais da área da saúde atentos às causas das doenças,
porém costuma-se ligar mais a intolerância à lactose.
Sem dúvida esta intolerância é comum
e pode desencadear transtornos funcionais gastrintestinais locais e por
conseqüência também sistêmicos.
Porém, não é a maior causa de
doenças sistêmicas desencadeadas pelo leite de vaca.
A maior relação dos derivados de
leite com as alergias tardias se deve ao fato do organismo não digerir a
beta-lactoglobulina. A caseína (80%), alfa-lactoalbumina e lactoglobulina são
de dificuldade digestiva, principalmente a caseína.
As proteínas alergênicas dos lácteos provocam uma inflamação na mucosa
intestinal causando alteração na permeabilidade da mesma, facilitando a
passagem de macromoléculas e metais tóxicos, além de favorecer a má absorção de
nutrientes, gerando uma
síndrome de má absorção. Como a mucosa intestinal é produtora de substâncias
como serotonina, hormônios, enzimas digestivas, sua alteração prejudicará as
funções executadas por essas substâncias que seriam produzidas e liberadas para
a circulação para uma ação no organismo.
Além disso, as macromoléculas que conseguiram atravessar esta mucosa
intestinal alterada, podem provocar uma reação do organismo no sentido de
combatê-las pois são entendidas como antígenos (substâncias estranhas ao
organismo), necessitando ser eliminadas. Para isso, além da ação dos fagócitos, poderá existir
a formação de anticorpos e estímulo do sistema do complemento, havendo
liberação de histaminas e de outros autacóides (substâncias quimicamente
ativas), agregação plaquetária, além da produção de outras substâncias
pró-inflamatórias como leucotrienos, citocinas etc.
Todas estas reações em conjunto,
podem desencadear sintomas em diversos órgãos alvo (órgão de choque), podendo
se manifestar por alterações físicas, mentais e/ou emocionais.
Diversos estudos comprovaram a relação de alergia tardia,
principalmente à leite de vaca com otite, dermatite, rinite,
sinusite, bronquite asmática, amigdalite, obesidade,
aumento da resistência à insulina, aumento na formação de muco, gastrite,
enterocolite, esofagite, refluxo, obstipação intestinal, enurese,
enxaqueca, fadigas inexplicáveis, artrite reumatóide,
falta de concentração, hiperatividade (ADHD), dislexia,
ansiedade e até mesmo depressão.
No processo alérgico tardio, a
histamina é liberada em pequena quantidade, não desencadeando sintomas
alérgicos imediatos, porém, em quantidade pequena tem ação de relaxante
cerebral, dando sensação de conforto e relaxamento, ligando o
alérgeno ingerido primeiramente ao prazer, muitas vezes gerando vício, e não
aos problemas que ele trará depois de um tempo variável. Os sintomas tardios
são relacionados com a necessidade de maior formação de imunocomplexos (em
pequena quantidade nem sempre provoca sintomas alterados), e uma queda da
serotonina, levando à sensação de ansiedade, vontade de comer
carboidrato, falta de saciedade, etc.
É essencial a avaliação com profissional nutricionista para a partir da análise de exames laboratoriais específicos e investigação clínica saber qual condição paciente apresenta, para assim poder
direcioná-lo para a correta conduta clínica.
A individualização alimentar pode mudar a qualidade de vida de uma
pessoa, vejo isso diariamente na clínica e me sinto imensamente agradecida por
hoje poder ter o conhecimento que liberta olhando o paciente por completo e não somente sua doença, tratando as causas e não os sintomas.
" Todo processo real de mudança acontece a partir do conhecimento "
Amanda L Nogarolli de Carvalho
Nutricionista Clínica CRN 8:4811
Especialista em Fitoterapia
Especialista em Obesidade e Emagrecimento
Especialista em Nutrição Funcional
Membro da Academia Brasileira de Nutrição Funcional