quarta-feira, 25 de maio de 2011




A edição nº 91 de 2010 da revista Viva Saúde publicou a matéria “Regule suas taxas sem medicação”, mostrando que a reeducação alimentar é sempre o primeiro passo nos tratamentos para modulação de níveis elevados de triglicérides e colesterol, hipertensão e diabetes. Quando as alterações genéticas estão descartadas, a dieta adotada possui influência decisiva na forma de como estas taxas se apresentam.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), 60% do total das 56,5 milhões de mortes notificadas no mundo foi resultado de doenças crônicas não transmissíveis. As doenças cardiovasculares têm como principais causas a aterosclerose e hipertensão, sendo também uma das principais causas de mortalidade no Brasil e no mundo. Além disso, segundo o IBGE, em 2009 o grau de sobrepeso e obesidade da população vem aumentado a cada ano, levando a fatores de riscos para estas doenças. Nesta linha, vários estudos têm demonstrado que a alimentação constitui o fator de maior importância na prevenção de doenças associadas à elevação das taxas de colesterol, triglicerídeos, pressão arterial e glicose.

Entre os anos de 1980 e 2000, a mortalidade por doença coronariana diminuiu nos Estados Unidos devido ao controle de alguns fatores de risco, representando uma redução de 150 mil mortes. A diminuição de apenas 6,1 mg/dl no nível de colesterol total sérico foi a ação mais importante, responsável por 82.830 mortes prevenidas ou postergadas. De fato, as gorduras são importantes no metabolismo do corpo. Entretanto, o consumo excessivo de determinados tipos de gorduras, como as gorduras saturadas, estão associados a doenças cardiovasculares.
 
Os resultados do estudo Encore, apresentados durante a reunião Anual do American College of Cardiology de 2009, demonstraram que a dieta mediterrânea, caracterizada por ser rica em grãos integrais, legumes, frutas, vegetais, nozes, azeite de oliva e peixes, associou-se com a diminuição da pressão arterial quando comparada com a dieta controle.

Além do excessivo consumo de gordura saturada, a ingestão de sal e açúcar também tem sido frequente entre a população, incluindo crianças e adolescentes. Um recente estudo da ANVISA avaliou a quantidade de sódio, gordura e açúcar em alimentos industrializados como: macarrão instantâneo, batata palha, biscoitos, sucos e refrigerantes. Talvez não fosse surpresa para muitos, mas o que foi constatado é que em pequenas porções destes alimentos podemos ingerir muito mais do que o recomendado diariamente. Ao consumir uma porção de macarrão instantâneo, o indivíduo pode estar ingerindo até 167% da quantidade de sódio diária recomendada.

Mais de 95% dos lipídeos no suprimento alimentar estão armazenados na forma de triglicerídeos. Em excesso, possuem ação oxidante e inflamatória, podendo lesionar os vasos e promover depósito no fígado (esteatose hepática). Já o colesterol, encontrado em alimentos de origem animal, corresponde a cerca de 30% dos níveis totais de lipídeos, já que a maior parte é produzida pelo fígado. Ele é essencial para garantir a atividade do sistema nervoso e a síntese de hormônios. Porém, ele precisa de uma lipoproteína de baixa densidade, o LDL, que age no seu transporte e, quando em excesso, obstrui as artérias. Por isso, o controle da ingestão de energia e gorduras saturadas é de extrema importância para o domínio destas taxas.

A proposta da dieta Mediterrânea é bem interessante, tendo em vista a composição da mesma. As fibras presentes nas frutas, cereais integrais e vegetais, assim como as substâncias antioxidantes e o ômega-3 estão entre os que mais possuem efeitos cardioprotetores. Desta forma, a inclusão de alguns alimentos, assim como a adoção de uma alimentação balanceada, rica em fibras e com menor quantidade de produtos industrializados têm grande impacto na prevenção de doenças e na regulação das taxas sanguíneas. Substituições simples do dia a dia podem fazer muita diferença na sua saúde.
 
A aveia possui beta-glucana, que é uma substância responsável pela redução dos níveis de LDL, sem afetar o HDL. Estudos relatam que o consumo de 40g de farelo de aveia auxilia na redução das taxas de colesterol. Tomate, cereja, amora, framboesa, melancia e goiaba vermelha possuem licopeno, que é um pigmento encontrado nos vegetais vermelhos e que age como antioxidante, ajudando a neutralizar a ação dos radicais livres, que são grandes responsáveis pelo desenvolvimento de doenças cardiovasculares.

A alicina, aliina e sulfeto de dialina são substâncias presentes no alho e que possuem função de redução do colesterol, redução da pressão arterial, função fibrinolítica e anticoagulante. Além disso, podemos fazer uso das ervas aromáticas, também com objetivo de reduzir a quantidade de sal utilizada nas preparações. Estudos também mostram que o uso moderado de azeite de oliva pode auxiliar na redução da pressão arterial.

O consumo de gorduras saturadas deve ser reduzido, assim como se deve aumentar o consumo de gorduras presentes em peixes, sementes, oleaginosas, azeite de oliva e abacate. O abacate é rico em fitoquímicos, como betassitosterol, que age na redução dos níveis de colesterol, e glutationa, que age como um antioxidante.
Sugere-se que antes de iniciar a terapia medicamentosa, deve-se, primeiramente, adotar uma abordagem natural através da alimentação, pois as chances de reverter a situação inicial são grandes.

Além disso, a atividade física regular auxilia na redução das taxas de LDL, além de incrementar as taxas de HDL. Também favorece a perda de peso, o que auxilia na diminuição dos índices de colesterol; regula a pressão arterial e melhora a atividade da insulina, favorecendo uma diminuição nas taxas de glicose. Porém, lembre-se sempre de consultar um nutricionista para acompanhar as mudanças de hábito alimentar.

Texto elaborado pela VP Consultoria Nutricional/ Divisão Ensino e Pesquisa

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Hipertensão atinge 23% dos adultos

Pesquisa do Ministério da Saúde entrevistou 54 mil pessoas por todo o Brasil

Possível indutora de infartos e derrames, a pressão alta já atinge quase um quarto dos brasileiros.  O dado, divulgado ontem, 26, é de pesquisa feita por telefone pelo Ministério da Saúde, com adultos das 27 capitais.

O pesquisador perguntava ao entrevistado se ele já havia sido diagnosticado com hipertensão. Responderam afirmativamente 23,3%. Mas o percentual de pessoas que têm a doença pode ser maior ainda, porque parte da população não faz exames regulares de pressão.

Segundo Marcus Malachias, presidente do departamento de hipertensão da Sociedade Brasileira de Cardiologia, dados das sociedades de cardiologia, hipertensão e nefrologia colhidos em 2010 apontam que 30% dos brasileiros têm pressão alta.

A diferença para os números do Ministério da Saúde, afirma, se deve à metodologia. "A entrevista por telefone só se refere a quem sabe que tem a doença."

Na pesquisa do governo, o problema foi mais comum entre as mulheres, principalmente na faixa dos 50 anos. Uma das causas pode ser a menopausa, afirma Maria Cláudia Irigoyen, presidente da Sociedade Brasileira de Hipertensão. Ela explica que o hormônio estrógeno, cuja produção cai na menopausa, dá uma "proteção natural" contra aumento de pressão. Por isso, diz, a mulher deve se esforçar mais para manter o peso, praticar exercícios e reduzir o consumo de sal.

Outra explicação para o grande número de mulheres diagnosticadas com hipertensão é que elas vão mais ao médico do que os homens. "In loco, vemos que há mais homens com hipertensão", diz Malachias, da sociedade de cardiologia.

Dieta industrializada

Entre as capitais do País, o Rio de Janeiro é a que tem mais hipertensos declarados na pesquisa: 29,2%. Em último lugar, fica Palmas, com 13,8%.

Libânio afirma que a variação está ligada à proporção de idosos em cada cidade.
Além da idade, são fatores de risco para a doença o estresse, o sedentarismo e o excesso de sal na dieta. O aumento do consumo de comida industrializada favorece o aparecimento do problema.

O Ministério da Saúde anunciou no início do mês um acordo com a indústria para reduzir o teor de sódio em diversas categorias de alimentos até 2020.

A pasta também passou a distribuir gratuitamente, em fevereiro remédio contra a hipertensão. Com isso, a entrega de drogas foi de 600 mil em janeiro para 1,3 milhão de unidades em fevereiro.

(Fonte: Folha de S.Paulo)