A edição nº 91 de 2010 da revista Viva Saúde publicou a matéria “Regule suas taxas sem medicação”, mostrando que a reeducação alimentar é sempre o primeiro passo nos tratamentos para modulação de níveis elevados de triglicérides e colesterol, hipertensão e diabetes. Quando as alterações genéticas estão descartadas, a dieta adotada possui influência decisiva na forma de como estas taxas se apresentam.
De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), 60% do total das 56,5 milhões de mortes notificadas no mundo foi resultado de doenças crônicas não transmissíveis. As doenças cardiovasculares têm como principais causas a aterosclerose e hipertensão, sendo também uma das principais causas de mortalidade no Brasil e no mundo. Além disso, segundo o IBGE, em 2009 o grau de sobrepeso e obesidade da população vem aumentado a cada ano, levando a fatores de riscos para estas doenças. Nesta linha, vários estudos têm demonstrado que a alimentação constitui o fator de maior importância na prevenção de doenças associadas à elevação das taxas de colesterol, triglicerídeos, pressão arterial e glicose.
Entre os anos de 1980 e 2000, a mortalidade por doença coronariana diminuiu nos Estados Unidos devido ao controle de alguns fatores de risco, representando uma redução de 150 mil mortes. A diminuição de apenas 6,1 mg/dl no nível de colesterol total sérico foi a ação mais importante, responsável por 82.830 mortes prevenidas ou postergadas. De fato, as gorduras são importantes no metabolismo do corpo. Entretanto, o consumo excessivo de determinados tipos de gorduras, como as gorduras saturadas, estão associados a doenças cardiovasculares.
Os resultados do estudo Encore, apresentados durante a reunião Anual do American College of Cardiology de 2009, demonstraram que a dieta mediterrânea, caracterizada por ser rica em grãos integrais, legumes, frutas, vegetais, nozes, azeite de oliva e peixes, associou-se com a diminuição da pressão arterial quando comparada com a dieta controle.
Além do excessivo consumo de gordura saturada, a ingestão de sal e açúcar também tem sido frequente entre a população, incluindo crianças e adolescentes. Um recente estudo da ANVISA avaliou a quantidade de sódio, gordura e açúcar em alimentos industrializados como: macarrão instantâneo, batata palha, biscoitos, sucos e refrigerantes. Talvez não fosse surpresa para muitos, mas o que foi constatado é que em pequenas porções destes alimentos podemos ingerir muito mais do que o recomendado diariamente. Ao consumir uma porção de macarrão instantâneo, o indivíduo pode estar ingerindo até 167% da quantidade de sódio diária recomendada.
Mais de 95% dos lipídeos no suprimento alimentar estão armazenados na forma de triglicerídeos. Em excesso, possuem ação oxidante e inflamatória, podendo lesionar os vasos e promover depósito no fígado (esteatose hepática). Já o colesterol, encontrado em alimentos de origem animal, corresponde a cerca de 30% dos níveis totais de lipídeos, já que a maior parte é produzida pelo fígado. Ele é essencial para garantir a atividade do sistema nervoso e a síntese de hormônios. Porém, ele precisa de uma lipoproteína de baixa densidade, o LDL, que age no seu transporte e, quando em excesso, obstrui as artérias. Por isso, o controle da ingestão de energia e gorduras saturadas é de extrema importância para o domínio destas taxas.
A proposta da dieta Mediterrânea é bem interessante, tendo em vista a composição da mesma. As fibras presentes nas frutas, cereais integrais e vegetais, assim como as substâncias antioxidantes e o ômega-3 estão entre os que mais possuem efeitos cardioprotetores. Desta forma, a inclusão de alguns alimentos, assim como a adoção de uma alimentação balanceada, rica em fibras e com menor quantidade de produtos industrializados têm grande impacto na prevenção de doenças e na regulação das taxas sanguíneas. Substituições simples do dia a dia podem fazer muita diferença na sua saúde.
A aveia possui beta-glucana, que é uma substância responsável pela redução dos níveis de LDL, sem afetar o HDL. Estudos relatam que o consumo de 40g de farelo de aveia auxilia na redução das taxas de colesterol. Tomate, cereja, amora, framboesa, melancia e goiaba vermelha possuem licopeno, que é um pigmento encontrado nos vegetais vermelhos e que age como antioxidante, ajudando a neutralizar a ação dos radicais livres, que são grandes responsáveis pelo desenvolvimento de doenças cardiovasculares.
A alicina, aliina e sulfeto de dialina são substâncias presentes no alho e que possuem função de redução do colesterol, redução da pressão arterial, função fibrinolítica e anticoagulante. Além disso, podemos fazer uso das ervas aromáticas, também com objetivo de reduzir a quantidade de sal utilizada nas preparações. Estudos também mostram que o uso moderado de azeite de oliva pode auxiliar na redução da pressão arterial.
O consumo de gorduras saturadas deve ser reduzido, assim como se deve aumentar o consumo de gorduras presentes em peixes, sementes, oleaginosas, azeite de oliva e abacate. O abacate é rico em fitoquímicos, como betassitosterol, que age na redução dos níveis de colesterol, e glutationa, que age como um antioxidante.
Sugere-se que antes de iniciar a terapia medicamentosa, deve-se, primeiramente, adotar uma abordagem natural através da alimentação, pois as chances de reverter a situação inicial são grandes.
Além disso, a atividade física regular auxilia na redução das taxas de LDL, além de incrementar as taxas de HDL. Também favorece a perda de peso, o que auxilia na diminuição dos índices de colesterol; regula a pressão arterial e melhora a atividade da insulina, favorecendo uma diminuição nas taxas de glicose. Porém, lembre-se sempre de consultar um nutricionista para acompanhar as mudanças de hábito alimentar.
Texto elaborado pela VP Consultoria Nutricional/ Divisão Ensino e Pesquisa

