Qual a importância do consumo frequente de café da manhã para a saúde?
Pesquisadoras do Núcleo de Pesquisa de Nutrição em Produção de Refeições (NUPPRE) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) caracterizaram a importância do consumo do café da manhã para a saúde em texto publicado na Revista de Nutrição, volume 23, número 5 de 2010.
A partir da revisão de artigos científicos publicados sobre o tema, observou-se o estabelecimento de uma relação positiva entre o consumo frequente e adequado do café da manhã com baixo risco de sobrepeso e obesidade, bem como com a melhoria no rendimento escolar. Relaciona-se, assim, o habito de consumir café da manhã com um estilo de vida saudável.
Esta revisão demonstra que, apesar do café da manhã ser considerado, em várias regiões do mundo, uma das 3 principais refeições do dia, juntamente com o almoço e o jantar, existem evidências científicas da diminuição do seu consumo, o que caracteriza uma modificação importante do comportamento alimentar atual. Entre as razões para o declínio no consumo de café da manhã, destacam-se mudanças no estilo de vida contemporâneo da população, tais como, aumento do número de indivíduos que moram sozinhos, falta de tempo para realizar as refeições e particularidades no consumo de pratos diferentes pelos membros da família.
Cabe destacar que a omissão do café da manhã não é vista como uma atitude saudável, sendo possível relacioná-la com consequências prejudiciais à saúde. O não consumo de café da manhã apresenta relação com aumento do consumo de lanches calóricos (ricos em carboidratos e gorduras), inviabilização da elevação da glicemia aos níveis necessários às atividades matinais e favorecimento de uma possível deficiência de cálcio.
Assim, estudos permitem traçar um perfil dos consumidores frequentes de café da manhã, composto por pessoas adultas que praticam atividade física, não fumantes, que não fazem uso frequente de álcool e que controlam o peso, bem como por crianças e adolescentes com bom rendimento escolar (melhor desempenho cognitivo, atenção, memória para atividades escolares, e frequência escolar). Autores demonstram que crianças e adolescentes que consomem o café da manhã despendem mais tempo nos estudos do que os não consumidores dessa refeição; consequentemente, esses alunos apresentaram melhor rendimento escolar. Por outro lado, o perfil dos não consumidores desta refeição é composto por pessoas com baixa frequência de atividade física, fumantes, que fazem uso frequente de álcool, apresentando sobrepeso e obesidade (principalmente adiposidade visceral) que fazem dietas restritivas sem acompanhamento, bem como por crianças e adolescentes com déficit no aprendizado.
As pesquisas analisadas identificaram que o consumo do café da manhã aumenta com a idade quando se trata de adultos, entre 18 e 60 anos e diminui em crianças e adolescentes, entre 4 e 18 anos. Constatam ainda que, na idade adulta, em geral, o consumo de café da manhã é predominantemente maior que em outras fases da vida. Já na omissão desta refeição cabe destaque as adolescentes do sexo feminino, que se preocupam com a imagem corporal levando a dietas restritivas sem orientação, situação em que a prática de omitir refeições é muito comum e pode levar a sérios problemas de saúde.
Outro alimento identificado no café da manhã como forma de escolhas saudáveis são os cereais matinais. No entanto, o texto salienta que a escolha deste cereal deve ser encarada com cuidado, pois muitos deles são elaborados com farinhas e açúcar refinados, adicionados de vitaminas e minerais, sendo, portanto, fontes de carboidratos simples e micronutrientes artificiais. Em comparação, são recomendados aqueles cereais matinais elaborados com farinhas integrais, oleaginosas e açúcar mascavo, sendo fontes de carboidratos complexos, fibras, vitaminas e minerais.
Destaca-se também que, frente aos benefícios do consumo do café da manhã para a saúde, surgiram alguns programas nacionais e internacionais, públicos e privados, que visam educar e incentivar crianças e adolescentes para o consumo dessa refeição de forma mais saudável. Tais programas podem potencialmente diminuir a disparidade do consumo nutricional de alimentos e adequar a ingestão alimentar no café da manhã, além de contribuir para a diminuição de sobrepeso e obesidade e para a melhoria do rendimento escolar em crianças e adolescentes.
Fonte: Scielo/2010
