quarta-feira, 5 de abril de 2017


SENSIBILIDADE AO GLÚTEN NÃO CELÍACA .



A sensibilidade ao glúten pode ser definida pela presença de alterações morfológicas, funcionais e imunológicas, que respondem com a exclusão do glúten ou redução do seu consumo e que não apresenta as características patológicas e laboratoriais que definem a doença celíaca. Essa definição inclui uma variedade de desordens que podem apresentar diferentes mecanismos moleculares, mas que possuem em comum a remissão dos sintomas em resposta a uma dieta isenta de glúten, na ausência de anticorpos antitransglutaminase e enteropatia.

Assim, alguns indivíduos podem apresentar alguns sintomas desagradáveis quando consomem produtos com glúten, os quais desaparecem com o consumo de uma dieta sem glúten.

Pacientes sensíveis ao glúten não toleram seu consumo e desenvolvem reações adversas, que diferentemente da doença celíaca, não levam a danos histológicos da mucosa intestinal.

Alguns pacientes com hipersensibilidade ao glúten podem tolerar até mais que 5 gramas de glúten por dia e permanecer sem sintomas com sorologia negativa.

Tipicamente, o diagnóstico é realizado pela exclusão do glúten, por meio da dieta de eliminação , seguida pela reintrodução do glúten para a avaliação de melhora e/ou redução dos sintomas.

A doença celíaca e a sensibilidade ao glúten são entidades clínicas distintas, causadas por diversas respostas na mucosa intestinal em resposta ao glúten.

A patogênese do NCGS ( SENSIBILIDADE AO GLÚTEN NÃO CELÍACA ) não é bem compreendida, é provável que seja heterogênea com possíveis fatores como a inflamação intestinal de baixo grau, aumento da função da barreira intestinal e alterações na microbiota intestinal. A imunidade inata também pode desempenhar um papel fundamental.

NCGS é caracterizada por sintomas intestinais (tais como diarréia, desconforto ou dor, inchaço e flatulência) ou sintomas extra-intestinais (tais como dor de cabeça, letargia, transtorno de déficit de atenção / hiperatividade, manifestações cutâneas ou ulceração oral recorrente) .

Nos últimos 5 anos, observou-se um aumento no uso de uma dieta sem glúten fora de um diagnóstico de doença celíaca ou alergia ao trigo mediada por IgE. Esta tendência levou à identificação de uma nova entidade clínica denominada sensibilidade ao glúten não-celíaco (NCGS).

As manifestações dos sintomas comumente relatados após a exposição ao glúten, que incluem sintomas intestinais consistentes com Sindrome do Intestino irritável  e sintomas extraintestinais como disfunção neurológica, distúrbios psicológicos, fibromialgia e erupção cutânea.

Evidências sugerem que carboidratos fermentáveis, inibidores de tripsina amilase e aglutinina de gérmen de trigo também podem ser culpados responsáveis. Finalmente, discutimos as novas técnicas que podem ajudar a diagnosticar NCGS no futuro.

Sintomas relacionados a Sensibilidade ao glúten não celiaca :

Prevalência: Feminina ( 72-84 % )

Média de Idade: 38 anos

Sintomas:

Diarréia – 16-54 % / Constipação – 18-24 % / Alteração do Hábito Intestinal – 27 % / Inchaço – 72-87 % / perda de peso – 25 % / Dor de Estômago- 52 %/ Nausea – 9-44 % / Refluxo 32 % / Estomatite – 31 % / Dermatite ou Eczema 6-40 % / Depressão – 15 -22% / Mente nebulosa – 34 – 52 % / Ansiedade 39 % / Dor de Cabeça 22-54 % / Dores Articulares/ Fibromialgia  – 8-31 %/ Fadiga 23-64 %


Há também mais de 80 condições autoimunes cuja relação com o glúten pode existir.Porém, as doenças autoimunes que comprovadamente apresentam relação com a sensibilidade ao glúten são:

-Diabetes mellitus tipo 1

-Artrite reumatoide

-Psoríase, dentre tantas outras.

**A sensibilidade ao glúten também está associada com diversos tipos de desordens neurológicas, como depressão, dermatites, psoríase,  ataxia cerebelar, hipotonia, distúrbios de aprendizado e enxaquecas etc.


** Gostaria de esclarecer que qualquer pessoa mesmo não tendo doença celíaca e não tendo sensibilidade não celíaca ao glúten ou alergia ao trigo irá ter aumento da permeabilidade intestinal após exposição de gliadina ( trigo ) .*** o que poderá levar a diversas consequências sistêmicas dependendo de cada organismo ** 

Gostaria de lembrar também que é imprescindível avaliação com profissional nutricionista  que possa avaliar  sinais clínicos, que faça correta exclusão e reintrodução e individualize a suplementação ,  além disso a importância de  cardápio feito não somente com exclusão do glúten, mas com modulação de índice glicêmico já que uma boa parte dos produtos sem glúten tem alto indíce glicêmico ( elevam muito o açúcar no sangue ). 

Respeite seus genes, consulte um nutricionista funcional para auxiliá-lo na melhora de sua saúde!

“ Todo processo real de mudança acontece a partir do conhecimento “





Abaixo cito alguns artigos para quem quiser se aprofundar mais no tema:


-Psoriasis patients with antibodies to gliadin can be improved by a gluten-free diet.

-Non-Celiac Wheat Sensitivity as an Allergic Condition: Personal Experience and Narrative Review

-Non-Celiac Gluten Sensitivity: The New Frontier of Gluten Related Disorders

-Reactivity to dietary gluten: new insights into differential diagnosis among gluten‑related gastrointestinal disorders
-Macharia Archita etc Al. 2015 .The Overlap between Irritable Bowel Syndrome and Non-Celiac Gluten Sensitivity: A Clinical Dilemma/ Nutrients Review.

-Inran Aziz et Al. The spectrum of noncoeliac gluten sensitivity. Nature Review 2015
-Picarelli Antonio et Al. Reactivity to dietary gluten: new insights into differential diagnosis among glutenrelated.

-Gastrointestinal disorders. Center for Research and Study of Celiac Disease – Department of Internal Medicine and Medical Specialties, Sapienza University, Rome, Italy

-Anastasia V. Balakireva Properties of Gluten Intolerance: Gluten Structure, Evolution, Pathogenicity and Detoxification Capabilities. Received: 28 August 2016; Accepted: 11 October 2016; Published: 18 October 2016

-Carrocio Antonio Et Al. Non-Celiac Wheat Sensitivity as an Allergic Condition: Personal Experience and Narrative Review. Am J Gastroenterol 2013; 108:1845–1852; doi: 10.1038/ajg.2013.353; published online 5 November 2013

-Non-celiac Gluten Sensitivity ARTICLE GASTROENTEROLOGY · JANUARY 2015 Impact Factor: 16.72 · DOI: 10.1053/j.gastro.2014.12.049

-Evidence for the Presence of Non-Celiac Gluten Sensitivity in Patients with Functional Gastrointestinal Symptoms: Results from a Multicenter Randomized Double-Blind Placebo-Controlled Gluten Challenge. Nutrients 2016, 8, 84; doi:10.3390/nu8020084 www.mdpi