O QUE É NUTRIÇÃO FUNCIONAL ?
Mudanças
no cardápio de uma pessoa, a partir do levantamento detalhado de suas
características, podem melhorar a sua disposição, tratar problemas como enxaqueca e evitar a
ocorrência de doenças crônicas como a obesidade e o diabetes.
Para entendermos o que é a chamada Nutrição Funcional
e em que ela se diferencia da Nutrição tradicional, temos de lembrar um pouco
dos ensinamentos das aulas de Biologia sobre o funcionamento das células.
Aprendemos que somos formados por trilhões de células que formam os tecidos que, por sua vez, formam
os órgãos, que, finalmente, compõem os aparelhos e sistemas do organismo
humano. Cada célula do nosso corpo é uma
unidade viva que depende, para o seu
funcionamento pleno, de determinados nutrientes, em doses que variam de pessoa
para pessoa, dependendo de suas características genéticas.
Mas
onde queremos chegar?
Explico: a
Nutrição Funcional
aplica a ciência dos nutrientes que procura manter ou restabelecer o equilíbrio
e o bem estar do organismo de cada pessoa a partir do diagnóstico de como
anda a relação entre as suas células e os nutrientes.
Em
vez de se limitar à prescrição de dietas de alimentos tidos como saudáveis
(porque o que é saudável para uma pessoa pode causar doença em outra- paciente com hipotireoidismo),
a Nutrição Funcional rastreia os sintomas, sinais e características de cada
paciente e os relaciona a situações de carência ou excesso de determinados
nutrientes.
Tudo isso é feito com
base em ferramentas e estratégias específicas e muito atuais. Num breve futuro,
até mesmo exames de “mapeamento genético” poderão ser incorporados. Se
descobrirmos, por exemplo, que o paciente possui um conjunto de genes
relacionados a uma maior propensão ao câncer, poderemos procurar diminuir o risco de desenvolver a doença com intervenções nutricionais específicas.
Diferentemente da
Nutrição clássica, os nutricionistas do século XXI defendem um rastreamento
bioquímico e metabólico de cada pessoa para saber quais são os alimentos
que funcionam para ela ou que podem, por exemplo, estar provocando ou
vir a provocar doenças. Dietas generalizadas e contagem de calorias não fazem mais sentido.
Da mesma forma,
questionários alimentares acrescidos de exame de sangue não são mais
suficientes.
Para
definir a melhor dieta para um paciente, é necessário conhecê-lo individual e
profundamente.
Podemos observar detalhes como, por exemplo, o aspecto
das unhas, que indica deficiências ou excesso de nutrientes. Ou utilizar outros
instrumentos que avaliam centenas de indícios de
desequilíbrios nutricionais como exames
bioquímicos.
A Nutrição Funcional
baseia-se em conceitos como o “equilíbrio nutricional e a biodisponibilidade
dos alimentos”, ou seja, alimentos e nutrientes que precisam de outros para
agir no organismo de maneira positiva ou que, ao contrário, são anulados quando
outros estão presentes.
O organismo de cada pessoa é um ecossistema que
precisa estar equilibrado, e isso ocorre de acordo com a atuação dos nutrientes
em cada uma das trilhões de células. Estudos
mostram como a “inflamação celular”, causada por uma reação desarmônica aos
nutrientes, estaria na origem de várias doenças, dentre elas a obesidade ,
diabetes, câncer.
Problema que atinge um
número significativo de brasileiros, a
obesidade é uma “doença inflamatória”
que deve ser tratada não pela contagem de calorias ou de açúcares consumidos,
mas pela escolha dos alimentos de acordo com as características individuais.
Detalhe: as toxinas ambientais também deixam as pessoas mais predispostas à obesidade
e a outras desordens metabólicas. Uma dieta “antioxidante” individualizada pode
ser bastante útil para combatê-las e ajudar na perda e no controle de peso.
Trabalhos científicos comprovam que a ocorrência das
doenças crônicas da vida moderna está relacionada a uma combinação de dieta
inadequada, suscetibilidade genética e exposição a agentes e poluentes
ambientais. Da mesma forma, outros
problemas “menos graves”, como o cansaço e a sensação de falta de energia,
resultam do “estresse oxidativo”, também relacionado ao desequilíbrio
nutricional.
Os desequilíbrios nutricionais geram sobrecarga no
sistema imunológico e desencadeiam “processos alérgicos” tardios, que acabam
por provocar doenças crônicas como a obesidade, depressão, fibromialgia,
artrite reumatóide, síndrome do pânico, osteoporose, diabetes, distúrbios de
comportamento e hiperatividade infantil, entre outras.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), as
doenças crônicas não transmissíveis já são responsáveis por 72% das mortes
ocorridas no Brasil, sendo que, no mundo, esse valor corresponde a 60%. A OMS
acredita que 80% de problemas prematuros do coração, AVC e Diabetes tipo II
e 40% dos casos de câncer poderiam ser evitados se corrigíssemos nossos hábitos
alimentares, reduzíssemos o uso de tabaco e adotássemos uma atividade física
regular.
Hoje, os nutricionistas funcionais se envolvem no
tratamento de diversos distúrbios metabólicos e neuropsiquiátricos.
Apesar de recente no Brasil, a Nutrição Funcional conta com o respaldo
científico de diversos estudos realizados principalmente na Europa e nos EUA,
onde, aliás, já existe um instituto dedicado à especialidade: o The Institute
For Functional Medicine
Fonte: Nutrição Clínica Funcional / Dos Princípios a
Prática Clínica

