NUTRIÇÃO FUNCIONAL E OSTEOPOROSE
As mudanças ocorridas
no século XX favoreceram a queda da mortalidade e isto refletiu no aumento da
expectativa de vida, resultando no envelhecimento da população e no aumento das
taxas de doenças crônico-degenerativas, entre elas a osteoporose.
A osteoporose é
caracterizada por alterações na massa óssea que comprometem a densidade e a
qualidade deste tecido, levando a fragilidade que favorece a ocorrência de fraturas2. É importante saber
que a massa óssea é adquirida durante o crescimento e que existe uma importante
relação entre as células de remodelação dos ossos (osteoclastos e osteoblastos).
Estas mudanças decorrentes das atividades destas células ocorrem ao longo da
vida mas, as mulheres começam a ter perda óssea a partir dos 35 anos, perdendo
em torno de 1% ao ano, já nos homens, esta redução ocorre a partir de 50 anos de idade.
De acordo com a
Portaria SAS/MS nº 470, de 23 de julho de 2002. “Vários fatores de risco estão
associados ao desenvolvimento de osteoporose e fraturas: Podemos citar, história
prévia de fratura, baixo peso, sexo feminino, raça branca, fatores genéticos
(como existência de familiares de primeiro grau com fratura sem trauma ou com
trauma mínimo), fatores ambientais (tabagismo, consumo abusivo de bebidas
alcoólicas e cafeína, inatividade física), baixa ingestão de cálcio alimentar,
estado menstrual (menopausa precoce, menarca tardia, amenorréias), drogas
(corticosteróides, anti-epilépticos, hormônios tireoideanos, ciclosporina),
doenças: endócrinas (hiperparatireoidismo primário, tireotoxicose, síndrome de
Cushing, hipogonadismos e diabetes mellitus), hematológicas (mieloma múltiplo),
reumatológicas (artrite reumatóide), gastroenterológicas (síndrome de
má-absorção, doença inflamatória intestinal, doença celíaca) e doenças neurológicas
(demência)”5. Dentre os fatores
nutricionais, destacam- se as funções do Cálcio, da
vitamina D entre outros nutrientes que serão discutidos6.
A homeostase do
cálcio ocorre através de um processo complexo pois, envolve os órgãos
intestino, rins, ossos e células. Estes mecanismos ocorrem de modo dinâmico e isto
dificulta o estabelecimento preciso da ingestão diária de cálcio para cada
faixa etária, sexo e idade7.
Diante de vários
fatores que interferem no metabolismo ósseo e que predispõem ao desenvolvimento
da osteoporose, vários nutrientes fazem parte destas reações químicas e por
isso, devemos ficar atentos à alimentação para fornecer estes nutrientes e possivelmente,
será necessária a suplementação nutricional para prevenir ou recuperar este
quadro de osteoporose.
Nutrição adequada
para manutenção ou recuperação da massa óssea:
Para que o cálcio se
fixe nos ossos, vários nutrientes são necessários, por isso é importante
compreender as funções de cada um deles.
Segue abaixo os
nutrientes que estão relacionados a esta via metabólica.
Com esta visão mais ampla
destes mecanismos, é um engano pensar que somente o cálcio e Vitamina D são
suficientes para uma perfeita recuperação da massa óssea.
Vitamina C: Estimula
a síntese de colágeno e favorece a ação dos osteoblastos e a acidez melhora a
biodisponibilidade do cálcio8.
Vitamina D: Favorece
a absorção de cálcio nas células intestinais e consequentemente a
manutenção da densidade mineral óssea9.
Vitamina K:
Importante vitamina para a reação de gama carboxilação da osteocalcina, que é
uma importante proteína na deposição de cálcio nos ossos10.
Boro: Reduz a
eliminação urinária de cálcio e magnésio11.
Cálcio: Nutriente
mais importante na formação de ossos e dentes, além do papel na contração
muscular e permeabilidade vascular11.
Cobre: Atua como
co-fator para enzimas para a síntese de constituintes da matriz óssea e
formação da lisil oxidase12
para a
síntese de colágeno e elastina.
Lisina: Aumenta a
absorção de cálcio em mulheres com osteoporose13.
Manganês: Nutriente
importante para a formação de mucopolissacarídeos que fornecem estrutura
adequada para a calcificação óssea14.
Magnésio: Associado à
diminuição da reabsorção óssea15.
Silício: Atua na
formação da matriz óssea, formando ligações de colágeno e proteoglicanos
durante o crescimento ósseo16.
Zinco: Estimula à
formação óssea aumentando a atividade da Vitamina D. Forma a
hidroxiapatita
(cristal que compõe os ossos) e estimulação dos osteoblastos10 produção de colágeno
e atividade da fosfatase alcalina17.
Potássio: Importante
para manutenção do equilíbrio ácido básico e diminui a
excreção urinária de
cálcio18.
Próbióticos: Garantir
o ph ácido no intestino que favorece a absorção de cálcio e mantendo uma
produção ótima de vitamina K pelas bactérias próbióticas19.
É importante
salientar o papel da saúde intestinal pois, alterações e situações comuns (diarréia,
obstipação, uso de laxantes) na população podem comprometer a absorção de
nutrientes. A produção de butirato (produto da fermentação bacteriana com a ingestão
de FOS) aumenta a expressão de calbindina na mucosa intestinal, que aumenta a
absorção de cálcio e a atividade dos receptores para 1,25 (OH)2 D3.
Manter o equilíbrio ácido básico do sangue é
importante porque a acidez crônica tem forte impacto na densidade dos ossos
além de prejudicar a síntese de colágeno21-22.
Este desequilíbrio
pode ser decorrente de fatores como alta ingestão de alimentos que acidificam o
sangue (café, proteínas de origem animal, ovos, chocolate, farinhas refinadas,
leite e derivados). A acidez é caracterizada pela elevada concentração de prótons
no sangue (H+) e para neutralizar
este processo, o corpo utiliza 4 mecanismos importante de controle23, 22.:
1º - Liberação de
bicarbonato de sódio,
2º - Maior eliminação
de pCO2,
3º - Saída do cálcio
dos ossos e,
4º - Saída de
minerais de carga positiva para tentar alcalinizar o sangue (potássio e
magnésio)23, 22.
Outro fator complicador da eliminação do
cálcio é que ocorre a ativação do hormônio PTH
(paratormônio), que aumenta a reabsorção de cálcio fazendo com que mais cálcio seja
eliminado ou liberado na corrente sanguínea24.
Vários fatores podem
comprometer o metabolismo do cálcio, por isso, a manutenção ou
recuperação da saúde óssea requer avaliação da saúde intestinal, avaliação de
exames laboratoriais, planejamento nutricional e possivelmente utilização de suplementos
alimentares.
Referências:
Sociedade Brasileira de Nutrição Funcional ( SBNF )






