Fonte: VP Consultoria
Em uma sociedade contraditória, onde o padrão de beleza magro é perseguido a todo custo, mas distorcidos hábitos de vida geram enorme prevalência de obesidade, parte da mídia obtém seus lucros a partir de publicações sensacionalistas de fórmulas “mágicas” para emagrecimento. Em uma revista de grande circulação, recentemente foi publicada uma matéria sobre como adotar a mesma estratégia de manutenção de peso adequado de uma famosa atriz, inclusive, indicando a cópia de um cardápio, que supostamente seria o mesmo utilizado pela celebridade.
Em uma breve análise do cardápio sugerido, observa-se apenas quatro refeições por dia, recheadas de alimentos industrializados, em sua maioria na forma diet e light, compondo uma dieta com poucas calorias, sendo este fato, a única alegação para o suposto poder emagrecedor.
Seres humanos são diferentes sob as óticas sócio-econômica, cultural, psicológica e biológica, o que torna cada um de nós, seres únicos, que possuem únicas necessidades nutricionais. A absorção, a utilização, o metabolismo e a eliminação de nutrientes são diferentes em cada um. Para exemplificar tais diferenças, às quais denominamos “individualidade bioquímica”, pode-se citar a existência de polimorfismos genéticos que alteram a forma de utilização dos nutrientes em diferentes organismos. Ainda, diferentes indivíduos podem responder de formas diferentes à ingestão de diversos grupos alimentares e provocar distinta sintomatologia. Sendo assim, não é possível que um mesmo cardápio seja benéfico para todos os indivíduos, nem promova os mesmos resultados em todos.
Dietas pobres em calorias, onde não há preocupação com a qualidade dos macronutrientes ou com o aporte de micronutrientes e compostos bioativos, são bastante utilizadas para promover perda de peso, porém podem acarretar em sérios riscos à saúde. A perda ponderal induzida por estas dietas em geral é limitada pela capacidade que o organismo possui de adaptar-se às adversidades. Quando ingerimos poucas calorias ou passamos longo período sem ingerir alimentos, o organismo interpreta que está sofrendo privação e reduz o gasto energético, freando a perda de peso. Soma-se a este mecanismo, o fato de a maioria das dietas desse tipo ser pobre em micronutrientes. Sem vitaminas e minerais necessários ao correto metabolismo energético, a redução ponderal é também diminuída.
O excesso de alimentos industrializados, rotulados como diets e lights induz uma ingestão exagerada de aditivos químicos, como corantes, saborizantes e edulorantes (adoçantes). Estes compostos, ao entrar no organismo, atuam como xenobióticos (substâncias estranhas) e causam diversos malefícios à saúde, como alergias alimentares, aumento do risco de câncer, de doenças cardiovasculares e alterações neurológicas. Em discordância com a mídia que estimula a ingestão de produtos diet e light, estudos científicos demonstram que a ingestão de adoçantes como aspartame e sacarina leva a maior ganho de peso se comparada à de açúcar.
Toda e qualquer dieta com alegação de ser útil para toda uma população será ineficaz quando aplicada a indivíduos únicos, sendo ela utilizada por famosos ou não! Para a indicação de um plano alimentar adequado para uma pessoa, se faz necessária uma minuciosa avaliação das suas necessidades. Por tal razão, o nutricionista é o único profissional capaz de indicar planos alimentares individualizados e eficientes.
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Fonte: Vp Consultoria
