Mostrando postagens com marcador CANDIDIASE. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador CANDIDIASE. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 9 de setembro de 2011



NUTRIÇÃO E CANDIDIASE


 

 


A Revista Viva Saúde (edição extra de setembro de 2012) publicou uma matéria sobre a Candidíase, abordando as principais curiosidades sobre essa infecção fúngica, que é originada pelo fungo do gênero Cândida, sendo as orais e genitais mais conhecidas e fáceis de serem detectadas. Uma dieta adequada pode auxiliar na prevenção e redução dos sintomas dessa patologia.
As mulheres são as mais atingidas pela candidíase genital, chamada de candidíase vulvovaginal (CVV) que, atualmente, é um relevante problema na saúde da mulher. Estima-se que 75% das mulheres adultas apresentem um episódio em sua vida, sendo que 40 a 50% vivenciarão novos surtos e 5% apresentarão a candidíase recorrente, definida como a ocorrência de quatro ou mais episódios de CVV no período de um ano.
Seus sintomas caracterizam-se por ardor, prurido e corrimento branco e espesso, os quais se agravam em períodos pré-menstruais por diversos fatores, como aumento da acidez vaginal. Além da infecção vaginal, a cândida produz toxinas que podem trazer inúmeros sintomas fora do trato genito-urinário, como no sistema nervoso (fadiga anormal, dificuldade em se concentrar, depressão, alterações de humor), sistema digestivo (gases, distensão abdominal, diarreia alternada com constipação e múltiplas alergias alimentares), pele (psoríase, eczema, sudorese excessiva, acne e infecções nas unhas), sistema endócrino (hipo ou hipertireoidismo, principalmente os de origem autoimune) e no próprio trato genito-urinário, promovendo perda de libido.
A cândida, assim como outros fungos, é encontrada naturalmente em organismos saudáveis e que não produzem sinais de doença em condições fisiológicas normais. Antigamente, acreditava-se que o uso de tecidos sintéticos, calça apertada e uso prolongado de biquíni úmido eram as principais causas para o desenvolvimento da CVV. Hoje em dia, outras causas estão sendo levantadas e comprovadas.
O sistema imune, nível de pH e as bactérias benéficas nos protegem de maiores problemas pela exposição ao fungo. O organismo mantém o equilíbrio entre as bactérias probióticas, as patogênicas, comensais e os fungos. O desequilíbrio leva ao processo chamado de “disbiose”. Ao encontrar as condições apropriadas, os fungos multiplicam-se rapidamente, ocasionando a CVV sintomática. O uso de antibióticos, corticoides, anticoncepcionais orais, esteroides, como estrogênio, laxantes, antiácidos e a presença de xenobióticos na alimentação e no ambiente em que vivemos (metais tóxicos, agrotóxicos, ftalatos) geram o desequilíbrio da microbiota normal (disbiose), favorecendo o crescimento fúngico. A gravidez, o diabetes melittus, estresse, hipoglicemia e outras doenças metabólicas podem também estimular a proliferação da cândida. Não podemos deixar de citar outros fatores predisponentes que favorecem a proliferação de fungos: imunossupressão, pacientes transplantados, portadores de próteses (marcapasso, dentadura, cateteres) e portadores do vírus HIV.
Sabemos que, na maioria dos casos, a proliferação fúngica intestinal precede às demais, podendo desencadear sintomas que atingem, simultaneamente, diferentes partes do corpo. As escolhas alimentares e as condições ambientais são fatores que levam nosso organismo aos desequilíbrios. Uma dieta rica em carboidrato refinado (arroz e pão branco, biscoito, chocolate e bolos) e açúcar refinado, leite e derivados, bebida alcóolica (vinho e cerveja), produtos industrializados em geral e o alto consumo de frutose favorecem o crescimento fúngico. Esses alimentos, além de nutrir o fungo, modificam o pH intestinal, tornando o meio propício para a diminuição das bactérias probióticas.
No tratamento convencional, utiliza-se agentes imidazólicos e triazólicos (fluconazol, miconazol, clotrimazol) e agentes poliênicos (nistatina e algumas formulações contendo anfotericina B), não tratando a causa, mas apenas os sintomas. Os estudos estão cada vez mais mostrando o papel fundamental que a alimentação exerce na prevenção e tratamento da CVV. Diversos alimentos podem ser incluídos para conseguirmos o efeito antifúngico. Recomenda-se ingerir orégano, alho, cebola, diversidades de legumes e verduras, suco de cranberry, óleo de coco extravirgem e alimentos com efeitos prebióticos, como biomassa de banana-verde e batata-yacon. A exclusão dos alimentos na dieta, citados anteriormente e que favorecem o crescimento fúngico, torna-se essencial.
Estudos vêm mostrando também a atuação dos óleos essenciais, como o de orégano (Origanum virens), sobre espécies de cândida, devido ao seu alto teor de carvacrol (68,1%) e os seus precursores biogenéticos, γ-terpineno (9,9%) e p-cimeno (4,5%). Assim como óleo de cravo-da-índia (Caryophillus aromaticus L.), utilizado também para tratamento de candidíase vaginal. O alto teor de eugenol, representando mais de 80% de sua composição, garante sua ação antimicrobiana e antioxidante. Utiliza-se também o suplemento de óleo ou extrato de alho, além de poder consumi-lo na sua forma natural. A alicina é o elemento essencial no óleo de alho, responsável pelas propriedades terapêuticas antibacterianas, anti-inflamatórias e antifúngicas. Na suplementação alimentar são indicados os probióticos (bactérias benéficas) e prebióticos (frutooligossacarídeos – FOS), como coadjuvantes no tratamento da candidíase.
A alimentação pode auxiliar tanto no tratamento ou prevenção da candidíase, que aflige considerável parte da população feminina, como de outros distúrbios causados pelo estilo de vida adotado nos dias de hoje. Nos casos recorrentes, torna-se uma das principais aliadas e uma alternativa a alopatia.
Fonte: VP Consultoria
 
Referências Bibliográficas
1.         AHMAD, N. et al. Antimicrobial activity of clove oil and its potential in the treatment of vaginal candidiasis. J Drug Targeting; 13(10): 555-561, 2005.
2.         CHAMI, F. et al. Evaluation of carvacrol and eugenol as prophylaxis and treatment of vaginal candidiasis in an immunosuppressed rat model. J Antimicrob Chemother; 54: 909–914, 2004.
3.         DAFERERA, D. J.; ZIOGAS, B. N.; POLISSIOU, M. G. The effectiveness of plant essential oils on the growth of Botrytis cinerea, Fusarium sp. And Clavibacter michiganensis subsp. michiganensis. Crop Protection; 22: 39-44, 2003.
4.         ERNANDES, F. M.P.G.; GARCIA-CRUZ, C.H. Atividade antimicrobiana de diversos óleos essenciais em microrganismos isolados do meio ambiente. B Ceppa; 25(2): 193-206, 2007.
5.         FALAGASI, M.E.; BETSI, G.I.; ATHANASIOU, S. Probiotics for prevention of recurrent vulvovaginal candidiasis:a review. J Antimicrob Chemother; 58: 266–272, 2006.
6.         FERRAZZA, M.H.S.H. et al. Caracterização de leveduras isoladas da vagina e sua associação com candidíase vulvovaginal em duas cidades do sul do Brasil. Rev Bras Ginecol Obstet; 27(2): 58-63, 2005.
7.         GIL, N.F. et al. Vaginal lactobacilli as potential probiotics against Candida spp. Braz J Microbiol; 41: 6-14, 2010.
8.         KORUKLUOGLU, M.; SAHAN, Y.; YIGITI, A. Antifungal properties of olive leaf extracts and their phenolic compounds. Journal of Food Safety; 28: 76-87, 2008.
9.         LEMAR, K.M. et al. Allyl alcohol and garlic (Allium sativum) extract produce oxidative stress in Candida albicans. Microbiology; 151(10): 3257–3265, 2005.
10.       REED, B.D.; SLATTERY, M.L.; FRENCH, T.K. The association between dietary intake and reported history of Candida vulvovaginitis. J Fam Pract; 29(5): 509-15, 1989.
11.       SALGUEIRO, L.R.; CAVALEIRO, C.; PINTO, E. Chemical composition and antifungal activity of the essential oil of Origanum virens on Candida species. Planta Med; 69(9): 871- 874, 2003.
12.       SOUZA. E.L. et al. Effectiveness of Origanum vulgare L. essential oil to inhibit the growth of food spoiling yeasts. Food Control; 18(5): 409–413, 2007.
13.       STRUS, M. et al. The in vitro activity of vaginal Lactobacillus with probiotic properties against Candida. Infect Dis Obstet Gynecol; 13(2): 69–75, 2005.