sábado, 25 de junho de 2011

LONGEVIDADE


A ciência do envelhecimento, motivada por encontrar a fonte da juventude ou pela curiosidade de entender como e por que envelhecemos, vem crescendo bastante e muitas informações sobre os mecanismos moleculares e celulares, envolvidos no processo de envelhecimento, estão sendo estudados. Diversas são as tentativas de explicação para esse processo, desde os questionamentos à teoria evolutiva de Darwin até o esclarecimento de como ocorre o envelhecimento em seres vivos menos complexos como leveduras, larvas e ratos. Atualmente, o que se sabe é que o envelhecimento pode ser caracterizado como um processo de impedimento progressivo e generalizado de funções que resulta no aumento do risco de doenças e morte, acompanhado pela diminuição da fertilidade, e que esse processo é multifatorial, sendo influenciado por vários aspectos como a saúde mental e os hábitos de vida.

A reportagem “Os novos caminhos para a longevidade”, publicada na revista Isto É, traz descobertas que revelam a influência da personalidade, do relógio biológico e da quantidade de alimentos ingerida para garantir uma vida mais longa e saudável. Segundo a matéria, estudos revelam que indivíduos de temperamento irritadiço, mais propensos a neuroses, estão sujeitos a prejuízos na atenção, emoções e memória. Respeitar o relógio biológico, ou ritmo circadiano, também é importante. Os autores afirmam que preservar o sono e fazer refeições no mesmo horário ajuda a regular o ritmo biológico, prevenindo alterações e doenças. Em relação à alimentação, enfatizam a importância da restrição calórica e do consumo de uma dieta saudável como fatores determinantes para prolongar o tempo de vida.
O mecanismo biológico responsável pelo efeito da restrição calórica na longevidade ainda é controverso; no entanto, algumas hipóteses têm sido propostas, tais como a redução da gordura corporal, com melhora da sinalização da insulina; e a redução da produção de espécies reativas de oxigênio, com consequente atenuação dos danos oxidativos.
As alterações fisiológicas, importantes durante o período de privação calórica, são iniciadas com a redução da concentração de glicose no sangue, ocasionada pela baixa ingestão de energia proveniente da dieta. Isto leva a uma diminuição da produção de insulina pelas células beta do pâncreas e, consequentemente, a uma diminuição do depósito de tecido adiposo, que é um órgão endócrino capaz de produzir hormônios ativos em todo o organismo, como o fator de necrose tumoral-alfa (TNF-alfa), a resistina, a adiponectina e a leptina. A alteração do depósito de gordura poderia modificar a secreção desses hormônios, como liberar maior concentração de adiponectina e menor concentração de TNF-alfa, melhorando a sensibilidade à insulina em diversos tecidos, como o muscular e o hepático. Essas mudanças endócrino-metabólicas poderiam promover maior expectativa de vida.

As espécies reativas de oxigênio (ERO), ou radicais livres, são formadas pela respiração celular, sendo o ânion superóxido (O2-), o peróxido de hidrogênio (H2O2) e o radical hidroxil (OH-) os mais conhecidos. Estas moléculas oxidam parcialmente outras moléculas que se encontram próximas, tais como lipídeos, proteínas ou ácidos nucleicos (DNA e RNA). Além disso, as ERO ativam um fator de transcrição pró-inflamatório denominado NF-κB, responsável pela transcrição de proteínas pró-inflamatórias como TNF-alfa e interleucinas 1, 2 e 6. Os danos oxidativos, assim como a ativação de genes pró-inflamatórios, causados pelas ERO, estão fortemente relacionados ao envelhecimento e à patogênese de diversas doenças crônicas não transmissíveis, como aterosclerose, diabetes, artrite reumatoide, desordens neuro-degenerativas e câncer. A restrição calórica parece promover melhora nos danos oxidativos, com a supressão da expressão e da ativação do NF-κB.

A privação calórica também parece regular genes envolvidos no reparo celular, na resistência ao estresse, na proteção contra danos oxidativos e na prevenção de algumas alterações que ocorrem com a idade. Em leveduras, descobriu-se que o efeito determinante da longevidade era mediado pela indução de um gene chamado silent information regulator 2 (regulador de informação silenciosa 2, ou Sir2). Estudos mostraram que a Sir2 pertence a uma classe de proteínas chamadas sirtuínas. Em mamíferos, sabe-se que há sete genes de sirtuínas, sendo a sirtuína 1 (SIRT1) a mais parecida com a Sir2, e que a restrição calórica aumenta as concentrações dessa molécula. Esse aumento leva à redução do metabolismo energético, que submete o organismo a um desgaste menor, reduzindo assim a produção de substâncias que agridem as células, como as ERO. Tal mecanismo tem sido associado ao maior tempo de vida.

Estudos em animais demonstram que a restrição de 10% a 50% das calorias totais diárias levam ao prolongamento do tempo da vida e ao envelhecimento com menores índices de tumores, doenças cardiovasculares e problemas de aprendizagem e memória, mas ainda não está estabelecido se teria o mesmo efeito benéfico sobre a longevidade de humanos. Entretanto, estatísticas mostram que a escassez de comida durante a Segunda Guerra Mundial foi associada a uma diminuição de mortalidade por doença coronariana em países europeus.
A matéria também descreve que não basta comer menos, mas também é essencial cuidar da qualidade do que se come. Pesquisas recentes sugerem que o consumo de substâncias, como fitoquímicos e aminoácidos, também desempenham papel fundamental para a promoção da longevidade.
Os fitoquímicos, também conhecidos como compostos bioativos, são substâncias encontradas nos vegetais e conhecidas por oferecerem proteção contra ataques de insetos e doenças nas plantas, mas que também apresentam uma série de benefícios à saúde humana. O texto descreve a atuação dos fitoquímicos presentes no chá verde, própolis, geleia real, romã, salmão, sardinha, suco de uva, vinho tinto, alho, cúrcuma, ginseng, quinua, arroz integral, aveia, azeite de oliva, castanha-do-Brasil, frutas vermelhas, gengibre, óleo de coco, tomate, brócolis e soja como importantes para a prevenção do envelhecimento da pele, do cérebro, das artérias e dos ossos. Em todos esses alimentos encontram-se compostos bioativos com capacidade antioxidante, anti-inflamatória e anti-carcinogênica, o que explica seus benefícios à saúde. Também são citados os papéis de aminoácidos como a metionina e a cisteína na regeneração dos tecidos, na destoxificação hepática e na prevenção de doenças cardiovasculares, neuromotoras e degenerativas, como a doença de Alzheimer.

Outro aspecto abordado é o incentivo à diminuição do consumo de refrigerantes, apresentando evidências que demonstram a redução do tempo de vida pelo excesso de consumo de fosfato, presente em grande quantidade na bebida. Outros fatores também poderiam ter sido abordados, como o aumento do consumo de gorduras trans, sal e açúcar pela população brasileira, como demonstram os dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) do IBGE. Segundo a POF, o brasileiro tem deixado de consumir alimentos basicos como arroz, feijão, frutas e verduras, e aumentado o consumo de alimentos processados e industrializados, o que, além de representar menor oferta de carboidratos complexos, fibras, vitaminas, minerais e compostos bioativos, aumenta a exposição a xenobióticos, como aditivos químicos e adoçantes artificiais, e a disruptores endócrinos como o bisfenol A. Essas substâncias estão associadas ao desenvolvimento de disbiose intestinal, alergias alimentares, sobrepeso, obesidade, resistência à insulina, diabetes, câncer, entre outras condições que reduzem a qualidade e a expectativa de vida.

Mais importante que as estratégias para se descobrir os mecanismos envolvidos com o envelhecimento, ou as fórmulas que levem à longevidade, são os fatores capazes de propiciar maior tempo de vida com qualidade. Há muito se fala sobre aumento da expectativa de vida como um dos índices de desenvolvimento de um país e que fazem com que ele seja classificado como subdesenvolvido, em desenvolvimento ou desenvolvido. A expectativa de vida acima dos 73 anos pode parecer ponto favorável para uma população. Mas até que ponto devemos nos preocupar com a quantidade de tempo vivido? Mais importante que isso é valorizar as condições que levem a um envelhecimento saudável, livre de doenças crônicas não transmissíveis e de condições que afetem o bem-estar físico e mental e a qualidade de vida das pessoas.


Texto elaborado  VP Consultoria Nutricional/ Divisão Ensino e Pesquisa.

quarta-feira, 25 de maio de 2011




A edição nº 91 de 2010 da revista Viva Saúde publicou a matéria “Regule suas taxas sem medicação”, mostrando que a reeducação alimentar é sempre o primeiro passo nos tratamentos para modulação de níveis elevados de triglicérides e colesterol, hipertensão e diabetes. Quando as alterações genéticas estão descartadas, a dieta adotada possui influência decisiva na forma de como estas taxas se apresentam.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), 60% do total das 56,5 milhões de mortes notificadas no mundo foi resultado de doenças crônicas não transmissíveis. As doenças cardiovasculares têm como principais causas a aterosclerose e hipertensão, sendo também uma das principais causas de mortalidade no Brasil e no mundo. Além disso, segundo o IBGE, em 2009 o grau de sobrepeso e obesidade da população vem aumentado a cada ano, levando a fatores de riscos para estas doenças. Nesta linha, vários estudos têm demonstrado que a alimentação constitui o fator de maior importância na prevenção de doenças associadas à elevação das taxas de colesterol, triglicerídeos, pressão arterial e glicose.

Entre os anos de 1980 e 2000, a mortalidade por doença coronariana diminuiu nos Estados Unidos devido ao controle de alguns fatores de risco, representando uma redução de 150 mil mortes. A diminuição de apenas 6,1 mg/dl no nível de colesterol total sérico foi a ação mais importante, responsável por 82.830 mortes prevenidas ou postergadas. De fato, as gorduras são importantes no metabolismo do corpo. Entretanto, o consumo excessivo de determinados tipos de gorduras, como as gorduras saturadas, estão associados a doenças cardiovasculares.
 
Os resultados do estudo Encore, apresentados durante a reunião Anual do American College of Cardiology de 2009, demonstraram que a dieta mediterrânea, caracterizada por ser rica em grãos integrais, legumes, frutas, vegetais, nozes, azeite de oliva e peixes, associou-se com a diminuição da pressão arterial quando comparada com a dieta controle.

Além do excessivo consumo de gordura saturada, a ingestão de sal e açúcar também tem sido frequente entre a população, incluindo crianças e adolescentes. Um recente estudo da ANVISA avaliou a quantidade de sódio, gordura e açúcar em alimentos industrializados como: macarrão instantâneo, batata palha, biscoitos, sucos e refrigerantes. Talvez não fosse surpresa para muitos, mas o que foi constatado é que em pequenas porções destes alimentos podemos ingerir muito mais do que o recomendado diariamente. Ao consumir uma porção de macarrão instantâneo, o indivíduo pode estar ingerindo até 167% da quantidade de sódio diária recomendada.

Mais de 95% dos lipídeos no suprimento alimentar estão armazenados na forma de triglicerídeos. Em excesso, possuem ação oxidante e inflamatória, podendo lesionar os vasos e promover depósito no fígado (esteatose hepática). Já o colesterol, encontrado em alimentos de origem animal, corresponde a cerca de 30% dos níveis totais de lipídeos, já que a maior parte é produzida pelo fígado. Ele é essencial para garantir a atividade do sistema nervoso e a síntese de hormônios. Porém, ele precisa de uma lipoproteína de baixa densidade, o LDL, que age no seu transporte e, quando em excesso, obstrui as artérias. Por isso, o controle da ingestão de energia e gorduras saturadas é de extrema importância para o domínio destas taxas.

A proposta da dieta Mediterrânea é bem interessante, tendo em vista a composição da mesma. As fibras presentes nas frutas, cereais integrais e vegetais, assim como as substâncias antioxidantes e o ômega-3 estão entre os que mais possuem efeitos cardioprotetores. Desta forma, a inclusão de alguns alimentos, assim como a adoção de uma alimentação balanceada, rica em fibras e com menor quantidade de produtos industrializados têm grande impacto na prevenção de doenças e na regulação das taxas sanguíneas. Substituições simples do dia a dia podem fazer muita diferença na sua saúde.
 
A aveia possui beta-glucana, que é uma substância responsável pela redução dos níveis de LDL, sem afetar o HDL. Estudos relatam que o consumo de 40g de farelo de aveia auxilia na redução das taxas de colesterol. Tomate, cereja, amora, framboesa, melancia e goiaba vermelha possuem licopeno, que é um pigmento encontrado nos vegetais vermelhos e que age como antioxidante, ajudando a neutralizar a ação dos radicais livres, que são grandes responsáveis pelo desenvolvimento de doenças cardiovasculares.

A alicina, aliina e sulfeto de dialina são substâncias presentes no alho e que possuem função de redução do colesterol, redução da pressão arterial, função fibrinolítica e anticoagulante. Além disso, podemos fazer uso das ervas aromáticas, também com objetivo de reduzir a quantidade de sal utilizada nas preparações. Estudos também mostram que o uso moderado de azeite de oliva pode auxiliar na redução da pressão arterial.

O consumo de gorduras saturadas deve ser reduzido, assim como se deve aumentar o consumo de gorduras presentes em peixes, sementes, oleaginosas, azeite de oliva e abacate. O abacate é rico em fitoquímicos, como betassitosterol, que age na redução dos níveis de colesterol, e glutationa, que age como um antioxidante.
Sugere-se que antes de iniciar a terapia medicamentosa, deve-se, primeiramente, adotar uma abordagem natural através da alimentação, pois as chances de reverter a situação inicial são grandes.

Além disso, a atividade física regular auxilia na redução das taxas de LDL, além de incrementar as taxas de HDL. Também favorece a perda de peso, o que auxilia na diminuição dos índices de colesterol; regula a pressão arterial e melhora a atividade da insulina, favorecendo uma diminuição nas taxas de glicose. Porém, lembre-se sempre de consultar um nutricionista para acompanhar as mudanças de hábito alimentar.

Texto elaborado pela VP Consultoria Nutricional/ Divisão Ensino e Pesquisa

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Hipertensão atinge 23% dos adultos

Pesquisa do Ministério da Saúde entrevistou 54 mil pessoas por todo o Brasil

Possível indutora de infartos e derrames, a pressão alta já atinge quase um quarto dos brasileiros.  O dado, divulgado ontem, 26, é de pesquisa feita por telefone pelo Ministério da Saúde, com adultos das 27 capitais.

O pesquisador perguntava ao entrevistado se ele já havia sido diagnosticado com hipertensão. Responderam afirmativamente 23,3%. Mas o percentual de pessoas que têm a doença pode ser maior ainda, porque parte da população não faz exames regulares de pressão.

Segundo Marcus Malachias, presidente do departamento de hipertensão da Sociedade Brasileira de Cardiologia, dados das sociedades de cardiologia, hipertensão e nefrologia colhidos em 2010 apontam que 30% dos brasileiros têm pressão alta.

A diferença para os números do Ministério da Saúde, afirma, se deve à metodologia. "A entrevista por telefone só se refere a quem sabe que tem a doença."

Na pesquisa do governo, o problema foi mais comum entre as mulheres, principalmente na faixa dos 50 anos. Uma das causas pode ser a menopausa, afirma Maria Cláudia Irigoyen, presidente da Sociedade Brasileira de Hipertensão. Ela explica que o hormônio estrógeno, cuja produção cai na menopausa, dá uma "proteção natural" contra aumento de pressão. Por isso, diz, a mulher deve se esforçar mais para manter o peso, praticar exercícios e reduzir o consumo de sal.

Outra explicação para o grande número de mulheres diagnosticadas com hipertensão é que elas vão mais ao médico do que os homens. "In loco, vemos que há mais homens com hipertensão", diz Malachias, da sociedade de cardiologia.

Dieta industrializada

Entre as capitais do País, o Rio de Janeiro é a que tem mais hipertensos declarados na pesquisa: 29,2%. Em último lugar, fica Palmas, com 13,8%.

Libânio afirma que a variação está ligada à proporção de idosos em cada cidade.
Além da idade, são fatores de risco para a doença o estresse, o sedentarismo e o excesso de sal na dieta. O aumento do consumo de comida industrializada favorece o aparecimento do problema.

O Ministério da Saúde anunciou no início do mês um acordo com a indústria para reduzir o teor de sódio em diversas categorias de alimentos até 2020.

A pasta também passou a distribuir gratuitamente, em fevereiro remédio contra a hipertensão. Com isso, a entrega de drogas foi de 600 mil em janeiro para 1,3 milhão de unidades em fevereiro.

(Fonte: Folha de S.Paulo)

terça-feira, 12 de abril de 2011

 

 

Perigoso, sódio está presente até em doces


Ele está presente em quase todos os alimentos, principalmente os industrializados: do pão francês que você come no café da manhã, passando pela lasanha para micro-ondas do almoço e o macarrão instantâneo do jantar. O sódio faz cada vez mais parte da alimentação dos brasileiros. O problema é que, apesar de alguns benefícios, esse nutriente é um dos vilões da dieta moderna.

De olho nisso, na última quinta-feira, o Ministério da Saúde (MS) fechou um acordo com associações que
representam as empresas produtoras de alimentos para, aos poucos, reduzir o volume de sódio nas composições de 16 tipos de produtos, como bisnaguinhas, pães, salgadinhos e embutidos, até 2014. O objetivo é fazer com que o Brasil alcance a meta de consumo de sódio recomendada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) até 2020.
Cuidados
Veja algumas dicas para reduzir a ingestão de sódio:

Tire o saleiro da mesa – o hábito de acrescentar sal quando a comida já está pronta é um perigo.

Evite os campeões de sódio – reduza o máximo possível o consumo de embutidos (como salsichas, presunto e salame) e desidratados, como sopas prontas e macarrão instantâneo com tempero. O consumo de salgadinhos e alimentos congelados, como lasanha e pizza prontas, também deve ser restrito, assim como caldos de galinha e produtos em conserva.

Seja criativo na cozinha – use o mínimo de sal na hora de temperar algum prato e invista em ervas frescas e secas (manjericão, sálvia, cominho, orégano, manjerona e alecrim), pimenta, cebola, alho, salsinha, cebolinha, limão, cheiro verde e vinagre – ingredientes muito mais saudáveis. Uma receita caseira e saudável é fazer um tempero misturando um terço de alho picado, um terço de manjerona e um terço de sal.

Reduza aos poucos – como o paladar está acostumado com a comida bem salgada, é difícil se acostumar com o novo sabor dos alimentos se a diminuição for muito radical. Vá adicionando cada vez menos sal aos preparos.

Leia o rótulo – a quantidade de sódio está relacionada na tabela nutricional no rótulo de todos os alimentos industrializados. Leia atentamente, compare marcas e opte sempre pela que tem o menor valor. E vale uma dica para fugir de ciladas, se o alimento tem 5%, é considerado com baixo teor de sódio; se são 10%, é moderado e já merece mais cuidado; e, caso passe de 15%, deve ser evitado porque tem excesso desse mineral e pode comprometer a saúde.

Anote tudo o que come – para saber o quanto ingere de sódio todos os dias, anote os valores referentes a este nutriente em tudo que comeu ao longo do dia e, no fim, some para ver se está dentro do recomendado.

Beba água – ingerir pelo menos dois litros de água todos os dias é um jeito de equilibrar a quantidade de sódio no organismo, já que o excesso do nutriente é eliminado pelo suor e pela urina.

O combate tem motivo. Segundo a OMS, o ideal é que cada adulto consuma diariamente até 5 gramas de sal – principal fonte alimentar de sódio –, o que equivale a cinco colheres de sobremesa do produto por dia. Pesquisas apontam que a média ultrapassa o dobro e fica entre 10 e 12 gramas.

“Como o sal é usado como conservante em produtos industrializados e fica oculto no preparo dos alimentos, as pessoas nem sequer reparam que estão consumindo tanto sódio e acabam minando a saúde aos poucos”, explica a médica nutróloga e diretora da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran), Marcella Garcez Duarte.

As consequências são graves. Em excesso, o sódio leva a um aumento da pressão arterial – a temida hipertensão –, gerando problemas renais, edemas e doenças cardiovasculares, como enfarte e AVC. “A maior preocupação é que a hipertensão é uma doença silenciosa. Muitas pessoas têm o problema, mas só descobrem quando vão parar no hospital depois de sofrer um enfarte”, alerta Gisele Pontaroli Raymundo, professora do curso de Nutrição da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR).

E é bom ficar de olho no cardápio porque não são só os produtos salgados que têm sódio. Alimentos doces, como biscoitos recheados, chocolates, guloseimas e refrigerantes, inclusive os light e diets, que usam sacarina e ciclamato em sua composição, também têm altos níveis do nutriente. “Assim como os demais produtos industrializados, eles têm conservantes e exigem uma restrição no consumo.”

Acordo

Para Angelica Koerich, nutricionista do Hospital das Clínicas da UFPR, o acordo entre o MS e as empresas só traz benefícios para os consumidores. “A redução é excelente porque a alta ingestão de sódio, tão comum atualmente, tem relação direta com o aumento no número de casos de doenças que demandam tratamento para o resto da vida, reduzem a qualidade de vida e, hoje, são tratadas como um problema de saúde pública porque comprometem e sobrecarregam o sistema de saúde.”
Segundo Eduardo Augusto Nilson, coordenador substituto de alimentação e nutrição do ministério, o excesso de sódio na alimentação não é uma preocupação não só brasileira, mas mundial. “Tanto que, em outros países, já há regras parecidas para a limitação da quantidade de sódio em alimentos.”
Nos Estados Unidos e no Canadá, por exemplo, o plano contou com uma série de medidas. “Houve preocupação em incentivar a mudança de hábito alimentar da população, desestimular o consumo de alimentos com muito sódio e fomentar as pesquisas na área de tecnologia de alimentos para que se mude a composição sem aumentar o custo e alterar o sabor dos alimentos”, explica Angelica.

Gazeta do Povo /2011

terça-feira, 1 de março de 2011

A Importância da Nutrição



A importância da Nutrição




"No dramático momento em que uma célula masculina,microscópica e serpenteante,encaminha-se para uma célula-ovo,muito maior, e liga-se a ela,um ser humano começa a existir e a Nutrição tem início. Este período de desenvolvimento,quando as coisas podem ser definitivamente "certas"' ou "'erradas "' é de vital importância, e a Nutrição pode exercer uma profunda influência,que se estende por toda a Vida.

Roger Willians,PhD